Agronegócio
Preço da carne sobe para o consumidor e cai para o pecuarista

Os preços da carne bovina seguem em trajetória ascendente no mercado interno. Relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que a carcaça casada bovina (composta por traseiro, dianteiro e ponta de agulha do boi) é negociada a R$ 25,41 por quilo no atacado da Grande São Paulo, alta de 4% nas três primeiras semanas de abril.
Quando os valores são corrigidos pela inflação, permitindo uma comparação melhor e mais justa com anos anteriores, o recorde fica ainda mais evidente.
A média de R$ 25,05 o quilo, registrada na parcial de abril, é a mais alta da série histórica do Cepea iniciada em 2001. O valor está 11% acima do registrado em abril de 2025, e 44,8% maior na comparação com o mesmo período de 2024, quando a pecuária de corte vivia um momento de baixa do ciclo pecuário e maior oferta de animais.
Exportação aquecida e abate restrito pressionam preços. Após anos seguidos de aumento no abate de fêmeas, refletindo na menor produção de bezerros, a oferta de animais prontos para abate está reduzindo. O avanço das exportações brasileiras de carne bovina têm absorvido parte expressiva da produção. Hoje o mercado internacional absorve 35% da produção. Com menos “carcaças disponíveis” no mercado doméstico, e demanda externa firme, a escalada de preços no atacado e no varejo tendem a seguir.
O analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, diz que o setor deve se aproximar de um limite de alta. “O baixo poder de compra do consumidor no mercado interno pode funcionar como teto para novos reajustes no varejo, mesmo que as pressões de oferta e exportação sigam firmes” diz Iglesias. O aumento nos preços da carne bovina reflete no prato dos brasileiros. O consumidor busca alternativas mais baratas para manter a proteína animal na dieta. Frango, ovos e carne suína ganham protagonismo.
Depois de atingir a maior cotação histórica o preço da arroba, pago ao pecuarista, registrou queda nesta segunda quinzena de abril.
No campo o movimento foi inverso. Neste momento, a pergunta é: será pontual? No dia 15 de abril a arroba foi cotada em R$ 367,30, o maior valor nominal dentro da série histórica do Cepea iniciada em julho de 1997. Porém, em apenas nove dias, a cotação perdeu R$ 4,70 de valor e foi negociada a R$ 362,00 nessa sexta-feira (24). Esses valores têm como referência as negociações no mercado físico em São Paulo.
Segundo Hyberville Neto, analista da HN Agro, a redução do poder de compra da população na segunda quinzena do mês costuma ser um ponto de cautela para o escoamento da carne no mercado doméstico. Os frigoríficos aproveitam o momento de menor demanda para “testar” preços menores. “Além disso as dúvidas em relação à demanda de gado para a China, cuja cota deve se esgotar pouco após o meio do ano e os patamares recentes de preços elevados, nos últimos meses, contribuíram para um aumento da oferta de boi resultando nesse movimento de ajuste no mercado” completa Neto.
Texto e foto: reprodução/CNN Brasil, com edição NH Notícias









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