Agronegócio

Inadimplência do crédito rural bate recorde e chega a 8,8% em julho

A inadimplência do crédito rural para pessoas físicas voltou a aumentar em julho, bateu novo recorde e chegou a 8,8% da carteira total. Antes, o índice mais alto havia sido registrado em fevereiro, em 7,7%, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nessa sexta-feira (28) pelo Banco Central.

 

O índice se refere às operações com recursos direcionados, oriundos das exigências mínimas de aplicação pelas instituições financeiras das suas captações de depósitos à vista e da poupança rural.

 

Desde abril, a inadimplência estava em estabilidade, em torno de 7,5%. A aceleração em julho e a renovação do recorde da série histórica, medida desde março de 2011, pode ser reflexo dos vencimentos de operações de crédito rural no período e da espera dos produtores por iniciativas governamentais para renegociação do passivo.

 

A Medida Provisória 1.376/2026, que autorizou a renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas, nas estimativas oficiais do governo federal, foi publicada em 15 de julho, e ainda não surtiu efeito. Houve relatos de instituições financeiras sobre aumento nos atrasos dos pagamentos.

 

“A deterioração é generalizada, no agro e fora dele. No caso do agro, o fato de que a maioria dos produtores opera na pessoa física e mistura a atividade com o movimento pessoal agrava a situação”, afirmou Rogério Boueri, ex-secretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Fazenda.

 

O cenário piorou em julho na comparação com o mês anterior tanto nas operações a taxas de mercado quanto nos financiamentos com juros controlados. No primeiro caso, a inadimplência passou de 13,1% para 15,5%, maior índice da história acompanhada pelo BC. Nos empréstimos com tarifas reguladas para o tomador final, a evolução foi de 3,3% para 3,7%, percentual que também é recorde.

 

Fernando Rocha, chefe do departamento de estatística do Banco Central, disse que a trajetória de crescimento da inadimplência no crédito rural para pessoas físicas “não parece ter sido interrompida ainda”. Ele ressaltou que o índice havia demonstrado estabilidade nos meses anteriores, mas voltou a crescer em um ritmo mais acelerado em julho e que há uma “tendência” de aumento.

 

Texto e foto: reprodução/Globo Rural, com edição NH Notícias

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