Cotidiano

Há 46 anos, sanfoneiro cego viaja todos os dias para tocar na mesma rua

Há mais de quatro décadas, o som da sanfona de Walter Baptista Junior, conhecido como Stefano, faz parte da rotina de quem passa pela Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas /SP.

 

Aos 53 anos, o músico com deficiência visual segue ocupando o mesmo ponto onde começou a tocar ainda criança, aos 7 anos. Entre as notas do acordeão e o movimento apressado dos pedestres, construiu uma história marcada pela música, pela persistência e pelo sonho de alcançar novos públicos.

 

A rotina começa cedo, longe dali. Por volta das 6h, Stefano sai de casa, em Monte Mor/SP, levando a sanfona, uma caixa para receber contribuições e uma bolsa. Com o auxílio de uma bengala, faz o trajeto até Campinas para mais um dia de apresentações.

 

Nascido na capital paulista e registrado em Campinas, o músico cego cresceu entre os sons e o movimento do comércio popular. Na infância, chegava acompanhado da mãe e, depois, das irmãs. Aos 16 anos, começou a fazer o caminho sozinho.

 

Segundo ele, o início não foi fácil. Stefano conta que, quando era mais novo, ouvia críticas de quem passava pela rua.

 

“Ah, eu não sabia tocar direito, fazia barulho, ainda levava carão das turmas. Quando completei 16 anos, completei o ritmo certo”, lembra.

 

Hoje, as apresentações seguem até as 14h. Entre uma melodia e outra, o músico também arranca sorrisos com uma corneta de brinquedo que costuma carregar.

 

Ao longo dos anos, a música permaneceu, mas muita coisa mudou ao redor. Há cerca de seis anos, Stefano precisou se adaptar novamente à rotina sem a companhia das irmãs, que se casaram.

 

Durante um período, também dividiu o ponto com o irmão, conhecido como “Branquinho”, que morreu em decorrência de um câncer.

 

Texto e foto: reprodução/g1, com edição NH Notícias

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