Cotidiano

Comprimido alcança resultado inédito no câncer que mais mata no Brasil

Durante décadas, o diagnóstico de câncer de pulmão avançado equivalia, na prática, a uma sentença de meses. Hoje, um comprimido tomado uma vez ao dia está mudando essa conta. Uma pesquisa recente conseguiu um resultado inédito: mais da metade dos pacientes com câncer de pulmão avançado ficou sete anos sem a doença progredir.

 

A pesquisa acompanhou pacientes com câncer de pulmão avançado usando lorlatinibe, medicamento tomado diariamente em forma de comprimido. Após sete anos de acompanhamento, 55% dos pacientes permaneceram vivos e sem progressão da doença — um resultado inédito para uma doença avançada.

 

O lorlatinibe não é para qualquer paciente com câncer de pulmão. Ele funciona apenas em casos em que o tumor é impulsionado por uma alteração genética específica chamada rearranjo de ALK. Essa alteração está presente em cerca de 3% a 7% dos casos do tipo mais comum de câncer de pulmão.

 

Embora represente uma parcela pequena dos casos, o avanço chama atenção porque o câncer de pulmão continua sendo o que mais mata homens e mulheres no país, com 31.237 mortes por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

 

Uma delas é Paula Piteri, que descobriu a doença aos 38 anos, com três filhos e sonhos pela frente. Hoje, ela usa o lorlatinibe há quase um ano e afirma que recuperou algo que o diagnóstico parecia ter tirado: a perspectiva de futuro.

 

Mas o entusiasmo com os dados científicos esbarra em um problema: o medicamento é de alto custo, cerca de R$ 37 mil por mês pelos comprimidos, e não está no Sistema Único de Saúde (SUS). Quem tem acesso hoje tem cobertura de plano de saúde, conseguiu na Justiça pelo SUS ou pagou.

 

Texto e foto: reprodução/g1, com edição NH Notícias

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