Cotidiano
Começa a instalação dos cabos de aço no trecho estaiado da Ponte de Guaratuba

Quem passa pela Baía de Guaratuba já enxerga o traçado da ponte e, a partir de agora, também verá a parte estaiada ganhando forma. Começou nesta semana a instalação dos estais, cabos de aço que darão sustentação para a parte central da estrutura, por onde passarão veículos e pedestres. As obras atingiram 70% de execução, de acordo com o último boletim de julho, e seguem dentro do cronograma.
“Nós estamos iniciando a etapa de avanço sucessivo do tabuleiro da ponte e, para que esse avanço possa ocorrer e ser sustentado, dependemos dos cabos de estais. Já instalamos o primeiro par de estais, que é o primeiro conjunto responsável por suportar o tabuleiro da ponte”, afirmou o engenheiro civil Rodrigo Marques. Ele é gerente de produção do Consórcio Nova Ponte, responsável pelas obras da Ponte de Guaratuba.
Os estais são cabos de aço tensionados que se ligam diretamente ao tabuleiro e às torres (mastros) da ponte. Eles sustentam o peso do tabuleiro, transportando as cargas verticais e horizontais para as torres, que por sua vez recebem essas forças e as transferem para as fundações por meio de compressão vertical. Já a fundação absorve e distribui as forças vindas dos mastros e estais para o solo e a rocha, onde estão as estacas marítimas.
O sistema estaiado tem como principais benefícios a utilização em grandes vãos, como é o caso da Ponte de Guaratuba, que terá um vão de 160 metros e canal de navegação de 19 metros de altura por 90 metros de largura; redução dos balanços e vibrações, tornando o tabuleiro mais estável que uma ponte pênsil; possui redundância estrutural, proporcionando mais segurança; além de ter o processo de construção mais rápido que os demais modelos.
“Muita gente pergunta ‘Por que uma ponte estaiada? É só pelo visual?’. A resposta é não. Ela tem um apelo estético e arquitetônico, mas, tecnicamente, permite vencer vãos maiores, ou seja, maiores distâncias entre apoios, coisa que não seria possível em estruturas comuns de vigas. Além disso, ela proporciona economia de materiais. O tabuleiro de uma ponte estaiada, que é a parte onde os veículos vão transitar, costuma ser mais esbelto, mais fino e mais leve”, acrescentou.
Na Ponte de Guaratuba são dois mastros principais, sendo que cada um deles terá 12 pares de estais, sendo 12 saindo para a esquerda e outros 12 para a direita de cada mastro. O estai é formado por um conjunto de cordoalhas, composta por sete fios de aço de alta resistência com três camadas de proteção anticorrosão: galvanização; aplicação de cera; e a capa de polietileno de alta densidade (PEAD).
“Ao todo, serão 61 cordoalhas por estai. Cada cordoalha é tensionada a aproximadamente 10 toneladas. Portanto, um estai com 61 cordoalhas suporta cerca de 610 toneladas. A carga de ruptura é mais que o dobro disso, mas, por segurança, trabalhamos com o limite de 10 toneladas por cordoalha”, explicou o engenheiro.
Texto e fotos: reprodução/AENPR, com edição NH Notícias








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