Cotidiano

Chocolate acumula inflação de quase 25% antes da Páscoa

Os preços do chocolate em barra e do bombom acumulam alta de dois dígitos para o consumidor brasileiro. Conforme o IPCA, índice oficial de inflação do país, os dois produtos registraram aumento de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro.

 

Em termos gerais, o IPCA subiu 4,44% no mesmo período. O índice é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

A carestia do chocolate ocorre antes da Páscoa de 2026, que será celebrada em 5 de abril, e reflete principalmente os impactos defasados da disparada das cotações do cacau, apontam analistas.

 

Dos 377 subitens (bens e serviços) que compõem a cesta pesquisada no IPCA, apenas 5 acumularam inflação maior que a alta do chocolate em barra e do bombom nos 12 meses até janeiro.

 

“Isso [inflação do chocolate] tem bastante a ver com o cacau. O cacau passou a ter alguma moderação nas cotações ao longo do segundo semestre de 2025, mas o histórico é de alta acumulada bem importante, chegando ao consumidor”, afirma o economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia.

 

“Famílias estão endividadas, mas há um cenário de baixo desemprego, renda em crescimento e formalização alta. É uma confluência de fatores que faz o chocolate aumentar”, completa o especialista em preços.

 

Ao comentar os dados do IPCA, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) também cita a pressão do cacau.

 

Com a quebra da safra 2023/2024 nos dois principais produtores do mundo (Gana e Costa do Marfim), a cotação da commodity chegou a bater o maior nível em 50 anos, diz a entidade.

 

Segundo a associação, o preço da tonelada saltou do patamar de US$ 2.500 em 2022 para US$ 12 mil no auge da crise. Mais recentemente, o indicador passou a oscilar na faixa de US$ 5.000 a US$ 5.500 (em torno de R$ 25,9 mil a R$ 28,5 mil). O nível ainda é considerado elevado pelo setor.

 

A Abicab afirma que a cadeia produtiva mantém acompanhamento diário sobre as oscilações do mercado e dispõe de estoques reguladores para enfrentar os solavancos.

 

Texto e foto: reprodução/Bem Paraná, com edição NH Notícias

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