Cotidiano

Afastamentos do trabalho por saúde mental batem recorde

Os casos de afastamentos do trabalho por saúde mental bateram recordes na região. No ano passado, foram mais de 500 licenças médicas concedidas a pessoas com doenças psiquiátricas em Apucarana e Arapongas, no norte do Paraná, 14% a mais que o último pico de casos registrado durante o período pandêmico. Entre as principais causas estão episódios depressivos, transtornos ansiosos, psicóticos, transtorno afetivo bipolar, stress grave, entre outros problemas de saúde. Os dados são da Smartlab, plataforma do Ministério Público do Trabalho.

 

O coordenador da atenção primária em saúde da 16ª Regional de Saúde de Apucarana, Moacir Paludetto Jr, observa que o aumento de casos de transtornos mentais após a pandemia ocorre a nível nacional. “A crise deixou “cicatrizes” e sequelas de uma experiência traumática”, considera. Segundo ele, fatores como avanços tecnológicos, competitividade, precarização do trabalho e a fragilização dos vínculos tornam a situação no ambiente laboral particularmente crítica, gerando um sentimento de insegurança e incerteza.

 

“Vivemos em uma sociedade adoecida, em meio a um processo intenso de reestruturação da vida social, com a digitalização e um ritmo acelerado de mudanças que geram um mundo muito mais inseguro e incerto para as pessoas”, analisa.

 

Para o coordenador, o número recorde de afastamentos em 2024 indica um agravamento real das condições de saúde mental no ambiente de trabalho. “Esse índice não é visto como um evento isolado, mas como o resultado de uma crise multifatorial que combina as sequelas da pandemia com problemas estruturais e conjunturais do mercado de trabalho e da sociedade em geral, influenciado também pela hiperconectividade e perda de vínculos sociais. A pressão por aumento de produtividade, muitas vezes sem a devida remuneração ou tempo adequado para as tarefas, é uma causa frequente de problemas de saúde mental”, aponta.

 

Paludetto ressalta que muitas empresas ainda mantêm práticas de gestão consideradas arcaicas e autoritárias, focadas em controle excessivo, o que potencializa problemas como assédio e gera mais tensões e conflitos no ambiente de trabalho. “Apesar de o tema ser mais discutido, muitos trabalhadores ainda têm receio de procurar ajuda por medo de consequências futuras, como demissão, retaliações ou dificuldades de promoção”, analisa.

 

Texto e foto: reprodução/TN Online, com edição NH Notícias

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