Agronegócio
Falta de chuva em Mato Grosso dificulta plantio da soja

Apesar das chuvas registradas nas últimas semanas, a umidade do solo permanece abaixo da média histórica em grande parte de Mato Grosso, o que restringe o ritmo do plantio da safra 2026/27 e o desenvolvimento inicial das lavouras, segundo avaliação da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola que utiliza dados de satélites. Neste momento, a recuperação hídrica ocorre de maneira desigual no Centro-Oeste, com condições mais favoráveis em Goiás e Mato Grosso do Sul.
Nos últimos dez dias, os maiores volumes de chuva se concentraram na região Sul do Brasil, com acumulados acima de 70 milímetros em áreas dos três Estados. As chuvas também ficaram acima da média histórica em regiões de Goiás e Mato Grosso do Sul, o que ajudou na recuperação da umidade do solo e no estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho.
“Em Mato Grosso, principal Estado produtor de soja do país, os níveis atuais de umidade do solo permanecem inferiores à média histórica, embora apresentem melhora em relação às semanas anteriores”, afirma Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily. A projeção, porém, não indica melhora imediata. A previsão do modelo meteorológico europeu para 22 de outubro aponta pouca recuperação adicional, com persistência do déficit hídrico em grande parte das áreas agrícolas do Estado.
“Além disso, os modelos projetam chuvas abaixo da média para os próximos dez dias, cenário que pode restringir o ritmo de plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras”, complementa Reis.
No Matopiba (região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a disponibilidade hídrica continua abaixo da média em áreas produtoras, especialmente no Tocantins e no oeste da Bahia.
Apesar de uma recuperação pontual em outubro, os níveis permanecem inferiores aos registrados nos dois anos anteriores, segundo a análise.
No noroeste de Minas Gerais, onde também há déficit de umidade, a previsão dos modelos aponta “recuperação gradual”, com possibilidade de intensificação das chuvas na última semana de outubro.
No Sul, o excesso de chuva também acendeu o alerta para os produtores de trigo. Segundo a EarthDaily, o volume acumulado desde setembro atingiu o maior patamar dos últimos 11 anos, superando inclusive os registros de 2015 e 2023, anos marcados pela influência do fenômeno El Niño.
Texto e foto: reprodução/Globo Rural, com edição NH Notícias












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