Cotidiano

Após câncer de pâncreas, paciente com 5% de chance de cura chega a 8 anos sem a doença

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No domingo de manhã em que Edgard de Luna esperava a alta, uma oncologista entrou na sala dizendo que tinha resultados para discutir. Ele havia passado o fim de semana internado no Hospital São Camilo, na Pompeia, em São Paulo, fazendo exames que ninguém havia explicado direito. Achava que ia para casa. Estava sozinho.

 

A médica despejou tudo de uma vez —câncer de pâncreas, prognóstico, próximos passos. Edgard ouviu sem conseguir assimilar. Quando ela saiu, pegou o celular e digitou no Google. A primeira coisa que apareceu: cinco meses de vida.

 

Ele tinha 42 anos, duas filhas pequenas e nenhum histórico de doença grave. Não havia nenhum sinal que justificasse aquele domingo.

 

Hoje, oito anos depois, não tem doença detectável. O caso está sendo documentado para publicação científica e apresentado em congressos médicos como algo que a medicina ainda não sabe explicar completamente.

 

O tumor de Edgard era o que a medicina chama de borderline para ressecabilidade: não claramente operável, mas não definitivamente inoperável. Estava na cabeça do pâncreas, perigosamente próximo de uma artéria. Operar de imediato era arriscado demais.

 

A estratégia escolhida foi a quimioterapia neoadjuvante —uma abordagem que tenta reduzir o tumor antes de tentar a cirurgia. A cada 15 dias, Edgard chegava à clínica na segunda-feira de manhã, ficava até as cinco da tarde recebendo a medicação, saía com uma bolsinha que continuava infundindo o quimioterápico por 48 horas e voltava na quarta para retirá-la. Às terças e quintas, trabalhava.

 

Nas primeiras sessões, Edgard saía da clínica acelerado, efeito contraintuitivo que ele mesmo achava engraçado, porque parecia que a quimioterapia o energizava em vez de derrubá-lo. Nas últimas, já não era mais assim.

 

O tumor de Edgard, quando recidivou, o fez com uma lesão única, em lugar acessível, encontrada precocemente por disciplina nos exames de controle. Houve ainda a circunstância de a equipe que o acompanhava conhecer e praticar o procedimento. Retirar qualquer um desses fatores, e o desfecho poderia ter sido outro.

 

Há o que a medicina não consegue responder. Jamile não tem nenhuma alteração molecular específica do tumor que explique por que deu certo. Na época do tratamento, a avaliação molecular disponível era limitada. Hoje haveria mais recursos —mas Edgard não tem mais tumor para testar.

 

Texto e foto: reprodução/g1, com edição NH Notícias

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