Cotidiano
Jovem ficou tetraplégica cinco vezes por causa de doença rara sem cura

Aos 33 anos, a fisioterapeuta Roberta Rodrigues convive com uma doença neurológica rara que mudou completamente sua rotina desde a adolescência. Diagnosticada aos 15 com a síndrome de Guillain-Barré, ela enfrentou episódios graves de paralisia e insuficiência respiratória ao longo dos anos.
Com a recorrência das crises, o quadro evoluiu para um novo diagnóstico: a Polirradiculoneuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma forma crônica e recidivante de polineuropatia autoimune que ataca os nervos periféricos e pode causar fraqueza progressiva, perda de reflexos e limitações motoras severas.
Ao longo de 18 anos convivendo com a doença, Roberta acumulou 10 crises intensas. Em nove delas, precisou ser intubada e internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em ao menos quatro episódios, ficou tetraplégica.
“Fui para a UTI, fiquei entubada, com muito medo. Na minha cabeça, quem ia para UTI morria”, relembra sobre a primeira internação.
A crise mais recente ocorreu em 2024, após complicações provocadas pela Covid-19. Até então, ela levava uma vida considerada normal. Em poucos dias, perdeu movimentos, fala e a capacidade de se alimentar.
“Eu não falava, não engolia, não movimentava nada. Me comunicava só pelos olhos”, conta.
Após cerca de um mês internada, recebeu alta ainda com limitações severas e iniciou um processo intensivo de reabilitação. A fisioterapia se tornou parte central da recuperação, com sessões diárias voltadas à retomada da conexão entre nervos e músculos.
Formada em fisioterapia pela Universidade Estadual de Goiás, Roberta seguiu a carreira mesmo diante das dificuldades. Ela também foi aprovada em concurso público federal e hoje atua em um hospital público do estado, acompanhando pacientes em processos semelhantes ao seu.
“Se não fosse a fisioterapia, Deus e minha força de vontade, eu não teria conseguido. Hoje, só de movimentar os braços, já é uma grande vitória”, afirma.
Atualmente, Roberta utiliza cadeira de rodas e ainda não consegue andar, mas mantém uma rotina intensa de exercícios, tanto em centros de reabilitação quanto em casa. O principal objetivo é recuperar a mobilidade.
Texto e foto: reprodução/Band, com edição NH Notícias










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