Agronegócio

Fechamento do Estreito de Ormuz deve afetar mercado de fertilizantes

O mercado global de fertilizantes pode ser impactado pelo fechamento parcial do Estreito de Ormuz, informado por um funcionário da missão naval da União Europeia, Aspides. Segundo ele, as embarcações têm recebido transmissão VHF – por radiofrequências – da Guarda Revolucionária do Irã, afirmando que “nenhum navio pode passar pelo Estreito de Ormuz”.

 

Eventuais efeitos sobre o transporte de fertilizantes nitrogenados, insumo estratégico para a agricultura, devem se tornar relevantes caso a situação se prolongue.

 

Além de ser uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás natural, com cerca de 20% do consumo mundial passando pela via, o estreito também é estratégico para o escoamento de insumos industriais, incluindo fertilizantes nitrogenados. Eventuais restrições à navegação podem afetar a logística de exportações e a formação de preços, caso a situação se prolongue.

 

O Irã está entre os maiores produtores mundiais de ureia, matéria-prima essencial na fabricação de fertilizantes utilizados em culturas como milho, trigo, cana-de-açúcar, café e hortaliças. A ureia também tem aplicação na indústria química e na alimentação animal.

 

O Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações globais de ureia. Em 2024, a produção iraniana foi estimada em aproximadamente 9 milhões de toneladas, das quais cerca de metade destinada ao mercado externo. Entre os principais destinos da ureia iraniana estão Turquia, Brasil e África do Sul.

 

O Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas de ureia in 2025. Nigéria, Rússia e Omã figuram entre os principais fornecedores. De acordo com a consultoria Argus, parte dos volumes registrados como originários de Omã pode incluir cargas provenientes do Irã, o que pode gerar distorções estatísticas nos dados comerciais.

 

A produção de ureia depende diretamente do gás natural, utilizado na fabricação da amônia, base do fertilizante. Por isso, oscilações nos preços do petróleo e do gás podem influenciar o custo do insumo.

 

Texto e foto: reprodução/CNN Brasil, com edição NH Notícias

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