Agronegócio
Pesquisa mostra como leite de jumenta pode ajudar a salvar bebês prematuros

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, concluiu que o leite de jumenta, além de seu potencial uso como suplemento para bebês humanos prematuros, reduz a liberação do hormônio do estresse e a resposta inflamatória de leitões durante o período de desmame.
A pesquisa foi conduzida no Criatório Ximbó, de Laranjal Paulista/SP, por Sharacely de Souza Farias, sob orientação do professor Adroaldo José Zanella, da USP de Pirassununga, que já tinha coordenado um projeto de 6 milhões de euros, na Europa, de protocolo de bem-estar animal que incluía os jumentos.
Segundo Zanella, na Europa, especialmente na Itália, o leite de jumenta é usado para tratar crianças prematuras porque tem características muito parecidas com o leite humano. Também serve para a produção de queijos muito caros.
“Quando voltei ao Brasil e vi o cenário assustador de descaso, de jumentos sendo abatidos cruelmente para servir ao mercado chinês de colágeno, fiquei enojado”, diz Zanella.
“Trabalho na área de bem-estar animal há quase 40 anos, e a ideia da nossa pesquisa era resgatar o valor do jumento no Brasil, entendendo a qualidade do leite como forma de evitar a destruição que estamos vendo nos últimos anos de uma raça que ajudou a construir o Nordeste”, acrescentou.
O professor relatou que, inicialmente, foi feita uma pesquisa de campo no Ceará e cerca de 75% dos entrevistados responderam que usavam o leite de jumenta para fins medicinais. Isso gerou, então, o interesse de entender as propriedades medicinais do leite, cujo litro chega a custar 200 euros na Europa.
Depois de testar essas propriedades, a pesquisa foi além para estudar os efeitos do leite de jumenta na desmama de leitões, período em que esses animais enfrentam muito estresse porque desmamam naturalmente com até 12 semanas de vida, mas em criações comerciais esse período é antecipado para quatro semanas. Os leitões foram escolhidos por terem um sistema digestivo semelhante ao do ser humano.
Texto e foto: reprodução/Globo Rural, com edição NH Notícias








Comentários