Polícia de Pitanga indicia responsável por empresa cerealista pela morte de trabalhador soterrado

A Polícia Civil (PC) de Pitanga concluiu, nesta semana, o inquérito que apurou a morte de um trabalhador (43 anos) no interior de uma empresa cerealista. O responsável (65 anos) pela empresa foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O caso ocorreu em 14 de abril deste ano.

 

Segundo o delegado William Gama Assunção, a investigação demonstrou que a morte decorreu do descumprimento de normas de segurança do trabalho. “A perícia constatou que o trabalhador caiu de uma altura de aproximadamente 3,60 metros por uma abertura que não tinha guarda-corpo, tampa ou qualquer proteção, e foi soterrado pelos grãos. Ele não usava equipamento de proteção contra quedas e estava sozinho, sem qualquer vigilância”, explica.

 

A PC foi acionada pelo Corpo de Bombeiros no fim da tarde do dia do acidente após o trabalhador ser localizado sem sinais vitais dentro de um compartimento de máquina usada no processamento e na secagem de milho. O laudo de necropsia apontou que a morte foi causada por asfixia mecânica por soterramento.

 

Durante a apuração, foram ouvidos bombeiros militares que atenderam a ocorrência e empregados da empresa, além de requisitada documentação trabalhista e de segurança do trabalho. O delegado destaca que o próprio programa de gerenciamento de riscos da empresa, em vigor desde novembro de 2025, já classificava como crítico o risco de acidentes em espaços confinados para a função exercida pela vítima e recomendava a instalação de proteções e a realização de treinamentos. “As medidas recomendadas por escrito não foram adotadas. O risco não era apenas previsível: ele havia sido previsto e comunicado formalmente à empresa meses antes do acidente”, afirma.

 

Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público (MP). A perícia do local e o exame de necropsia foram realizados pela Polícia Científica do Paraná.

 

Texto e foto: reprodução/PCPR, com edição NH Notícias

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