Agronegócio
Feijão tem recuo de área e queda de quase 40% na colheita no Paraná

Líder na produção nacional de feijão, o Paraná tem confirmada a redução de área e consequente queda de quase 40% na produção do grão, em relação ao ano passado. O percentual se refere à segunda safra – a mais relevante no Estado -, com colheita em fase de conclusão. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O volume produzido na segunda safra de feijão no Paraná ficou em 323,9 mil toneladas, ante 535,3 mil toneladas do mesmo ciclo no ano passado, ou seja, queda de 39%. Com predominância do feijão preto, a área plantada passou de 345,1 mil hectares para 227,2 mil ha – redução de 34%.
O produtor Maikon Wilzeski, de Prudentópolis, município do Centro-Sul do Estado conhecido como a Capital Nacional do Feijão Preto, conta que deve encerrar nesta semana a colheita, iniciada na semana passada. “O clima castigou bastante e afetou a qualidade, as sementes estão miúdas”, observa. Os efeitos da seca no início do ciclo foram amenizados pela palhada de milho, segundo o produtor. Porém, as chuvas, o frio e a falta de luminosidade no decorrer do cultivo atrapalharam o desenvolvimento.
Com isso, a produção passou de cerca de 49,6 sacas por hectare, da safra passada, para uma média de 16,5 sacas por hectare na atual. Wilzeski lembra que já chegou a colher 82 sacas por hectare em anos anteriores. Para ele, o principal problema, entretanto, é o valor do produto: “vou segurar a venda, para esperar melhorar o preço”.
De acordo com o Deral, a saca de 60 kg do feijão preto foi comercializada, em média, a R$ 194 em junho, valor semelhante ao mês anterior. Do início do ano até junho, o produto teve uma valorização de quase 50%, uma vez que vinha de um cenário considerado “muito ruim”, comenta Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral.
O aumento do preço em comparação ao ano passado, para o analista, pode indicar uma recuperação da cultura para a safra 2026/27. “Os preços melhores devem ter algum reflexo no Estado, principalmente no plantio de feijão preto, em que o Paraná é o principal produtor”, reforça. A semeadura da primeira safra ocorre no segundo semestre, quando será possível avaliar se haverá aumento de área. Na safra 25/26, houve redução de 39% da área plantada, na primeira safra, que ficou em 102,2 mil ha, e queda de 45% na produção, que fechou em 192,4 mil toneladas.
Texto e foto: reprodução/Globo Rural, com edição NH Notícias









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